domingo, 4 de outubro de 2026

Quase 3 anos depois...

 E voltamos aqui. Será que ainda sei fazer isto? Dizem que quando fazemos o que gostamos podemos parar durante anos que quando regressamos é como andar de bicicleta. Não sei se este será um bom exemplo, tendo em conta os anos que passaram sem que eu voltasse a tocar num bicicleta mas a ver vamos.

Já não me lembro a última vez que escrevi aqui, sei o que escrevi porque estive há pouco a ler, mas confesso que não me lembro do dia, da hora, de estar a escrever e de como me sentia nessa altura. Passaram 3 anos, mas parece que já foi há uma vida.

Nos entretanto a vida mudou muito. Fui mãe, o maior sonho da minha vida, e tudo aquilo que eu conhecia até esse momento mudou. 

O F. veio mudar tudo, a minha vida, as minhas rotinas, as minhas prioridades, os meus objetivos, mudou tudo. Nos últimos 2 anos todo o tempo (ou quase todo) foi dedicado a este miúdo que é só toda a minha vida. Pelo meio tento equilibrar-me, tento seguir o meu racional, tento tirar tempo para mim, esforçar-me para estar com amigos e voltar a sentir-me eu e a ter novos objetivos. Isto porque, honestamente, o exemplo que quero dar ao meu filho é de alguém que gosta de viver e que gosta de fazer coisas que a deixam feliz. O meu filho é o ponto mais alto da minha vida mas não poderá nunca ser o único ponto. É importante também passar tempo comigo, fazer outras coisas que gosto e sentir-me um bocadinho eu. Tenho tentado, ainda que poucas vezes, mas o pouco que faço sabe-me bem, a mim e a ele. 

Gosto muito de passar a maior parte do meu tempo livro com o F., sou feliz assim, mas reconheço que deixá-lo ter momentos sozinho com o pai é benéfico para todos. Para ele que cria uma ligação com o pai, para o pai que cria uma ligação com o filho e para mim, para recuperar uma parte que ficou esquecida.

Ás vezes é bom ir ter com elas e conversar, desabafar e rir de mil e uma coisas. É bom aproveitar a hora de almoço durante um dia de semana e ir à praia respirar, é bom ler 3 páginas de um livro e é bom tirar 5 minutos para escrever aqui. Já não me lembrava desta C. mas definitivamente também quero que o meu filho conheça esta C. porque acho importante ele crescer a saber que a mãe, para além de ser mãe dele, e adorar esse papel, gosta também de fazer outras coisas, dançar, ouvir música, rir, caminhar, treinar, organizar etc.

É tentar encontrar um equilíbrio e continuar a tentar ignorar a opinião dos outros. As boas e as más também. Viver por mim e seguir por mim sem tremer, ou mudar de direção por ruídos de fundo. E esta é uma parte difícil para mim. Gostava de ser mais forte, gostava que as palavras dos outros não me magoassem, não interferissem na minha vida, e não afetassem as minhas escolhas mas...ainda não estou lá, quem sabe um dia. Até lá vou tentando e vivendo, contrariando opiniões. E nunca, mas nunca, deixar de fazer o que me apetece por ter
medo do que vão dizer, porque, a verdade, é que acho que esse é um dos melhores exemplos que posso passar ao meu F.

domingo, 29 de outubro de 2023

Outono, dias de chuva e a vontade de voltar!

De todas as vezes que disse que tinha que voltar a escrever, a vontade nunca me acompanhou. O que antes era diário, aquele entusiamo constante, quase que parecia já não mais fazer sentido, quase que deixou de me cativar. 

A verdade é que para mim a escrita sempre foi pessoal, vontade de partilhar o meu estado de espírito, o ânimo ou desânimo da minha vida, as minhas opiniões... Não que a minha vida tenha ficado menos interessante nos últimos anos (muito pelo contrário by the way) mas a vontade de me expor, ou até mesmo de me focar naquilo que estou a sentir começou a parecer assustador. E de repente eu, de uma pessoa que desabafava com o mundo, que achava que partilhar era bom, começou a sentir que isso era só estúpido e preferi, como prefiro, reservar-me e lidar com as minhas questões só comigo...Bom, só comigo não será bem assim, com os que me são próximos, com a terapia... 

Os últimos anos têm-me feito pensar que gosto de me resguardar, de guardar, o bom e o mau. Por um lado não gosto de pregar aos sete ventos quando estou feliz, por outro também não gosto de mostrar as minhas fragilidades. E embora saiba que toda a gente as tem, cada vez mais acho que as pessoas não vêm partilhas como algo bom.

Ainda assim, e mesmo sendo mais resguardada, a verdade, é que tenho cada vez mais voz, com mais força para confrontos e para dizer o que penso, sem ter medo de bater de frente com alguém. Ou melhor com algumas pessoas ainda tenho, mas confesso que já fiz e continuo a fazer progressos. Sinceramente, acho que deixei de ser uma miúda sem voz apenas para agradar os outros, e ainda que ache que nem todos os confrontos valham a pena, a verdade é que muitas das vezes temos de nos colocar nessa posição, falar, dizer o que pensamos, mesmo que isso signifique ir contra alguém que gostamos. A questão é simples, se for alguém dos nossos, mesmo tendo outra opinião, irá aceitar que a nossa é diferente, e está tudo bem.

Devemos expressar-nos sem medo de represálias, sem medo de nos mostrar-nos, ou com medo de não nos encaixar-mos, durante anos senti isso, sabia que não pertencia ali, mas queria encaixar-me, queria falar igual, vestir-me igual, pensar igual, e isso é não aceitarmos o que somos, é sentir vergonha alheia de nós próprios, e lixar a nossa autoestima, viver apenas o que a sociedade dita e nunca ser livre!

Ás vezes é bom seguirmos outras marés, a vida tem-me mostrado isso, e acreditem, tem sido mesmo muito generosa com as lições! 

Por isso, escreverei sempre e quando me apetecer, para mim e para os outros, mas especialmente para mim, para me relembrar que este lugar existiu e foi sempre importante para mim!

sexta-feira, 3 de março de 2023

O dia 3 de Março

E assim quase num piscar de olhos (desculpem o cliché) chego aos 35 senhores, como é que isto passou assim tão rápido ah? Uma coisa não mudou, apesar de nos últimos anos não me ter dignado a partilhar isto convosco, mas continuo a adorar fazer anos, aliás, acho até que gosto mais. Acho sempre que é um dia que merece ser festejado, celebrado, vivido e agradecido. 

Há 35 anos atrás a minha mãe era mãe pela primeira vez e eu começava a minha jornada por estes lados. 

Se me perguntarem se já fiz tudo o que gostaria? Nem de longe, ainda há tanto por fazer mas ainda assim consigo ver que já fiz tanto, já conquistei tanta coisa e a verdade? Gosto cada vez mais da miúda que me estou a tornar.

Olhando para trás mudava apenas uma coisa, ter-me tentado integrar e pertencer a meios que não são nem nunca serão os meus. Seria mais eu, sem medo, sem disfarces e sempre que alguém me tentasse diminuir saltava fora, sem escândalos e problemas mas afastava-me. Acho que os últimos 10 anos mostraram-me isso, que não precisamos de tentar encaixar-nos em lado nenhum, nos sítios certos cabemos por inteiro, sem precisar de nos ajustar. Basicamente quem gosta de nós vai gostar sempre, quer sejamos tímidos, introvertidos, certinhos, melancólicos, saudosistas, enfim...quem gosta, gosta, e são essas gentes que importam. Hoje sei disso.

Os últimos 10 anos foram de aprendizagem, de problemas, de desafios, de coisas boas, de coisas tristes, de ser adulto, e acho que o difícil tem sido voltar a ser criança e não levar a vida tão a sério. Isto não é para levar a sério, não mesmo, mas tem sido difícil para mim perceber isso. Tornei-me ainda mais responsável (se é que isso era possível) o que faz com que sinta que tenho sempre 30 kg às costas. Nos últimos meses tenho tentado libertar-me disto, havemos de conseguir.

Há 10 anos atrás, os meus 25, foram estupendos, vividos e de uma alegria extrema. Vivia sozinha, dançava até de manhã, os fins de semana eram sempre de festa e divertia-me muito, mesmo muito. Por outro lado vivia demasiado para o trabalho, era ambiciosa, trabalhava horas a mais, desejava o mundo. 10 anos depois, não vivo sozinha, não gosto assim tanto de sair à noite, mas não dispenso um brunch e uma conversa de uma tarde com amigas. Valorizo muito mais a vida, o aproveitar, a natureza, os amigos, a família, a minha casa...Enfim, a mesma pessoa, 10 anos no meio e uma perspetiva diferente do que aqui andamos a fazer. Olhando para trás parece que nada mudou e ao mesmo tempo mudou tudo.

Ah e ainda sonho muito, sonho mesmo, desejo um mar de coisas, ser mãe é uma delas, mas ao mesmo tempo também sei que se os sonhos não passarem de sonhos, está tudo bem, o importante é viver e aproveitar enquanto aqui estamos.

Para a C. daqui a 10 anos: O que quer que sejas agora e o que quer que tenhas vivido nos entretantos, tudo isso é teu, tudo isso ultrapassaste e conquistaste. Tudo foi necessário para chegares até aqui. E lembra-te nunca é tarde para fazer o que se gosta. Não tenhas medo. Tu consegues tudo! Sê feliz, no fim é só isso que importa!

sábado, 31 de dezembro de 2022

O balanço...

 Já não me lembro a última vez que fiz um balanço de final de ano aqui, mas este ano fez-me sentido voltar ao antes, às coisas que nunca esqueci e que nos últimos anos tenho descurado. 

2022: Foi um ano difícil, agitado, com muita indecisão e em que me senti imensas vezes perdida e desanimada. Olhando para trás, não me lembro de ter tido algum ano parecido com este. 

Comecei o ano com metas definidas, sendo que uma delas seria fazer os caminhos. Em abril, eu e a minha S. partimos para a aventura. No dia anterior chorei, a ansiedade estava a tirar a melhor de mim, pensei em desistir, pensei que não queria ir e pensei que raio de ideia me tinha passado pela cabeça. Olhando para trás vejo que o medo estava a dominar a minha vida. Ainda assim não desisti e fui, os primeiros dias foram difíceis, as duas primeiras noites quase não dormi. A situação piorou quando tive uma grande crise de alergia que me deixou praticamente 2 dias com dificuldade em respirar. Não desisti e segui em frente. O caminho faz-se caminhando, e foi assim que os dias começaram a melhorar, eu comecei a conseguir dormir, fiquei melhor das alergias e nos últimos dias deixou de chover. Deixamos de sentir dores e as preocupações deram lugar a grandes conversas, a partilhas genuínas e a uma força que nunca mais nos deixou pensar em desistir. E de repente cheguei ao destino e só queria voltar ao início para fazer o caminho outra vez.

Depois do caminho passei por uma série de "chatices", olhando para trás só consigo ver que o caminho me deu a força para conseguir lidar com o que veio. O pior de tudo foi ter perdido a minha Kira! Morro de saudades dela, faz-me falta todos os dias e é inevitável estar sempre a pensar nela. Aquela gatinha mudou a minha vida para sempre e eu vou sentir falta dela todos os dias da minha vida. 

Este foi ainda um ano de indecisões, de vontade de ir mas de ter que ficar. Abdiquei de muitas coisas mas fiquei mais próxima de conseguir outras, de me resolver, de ser livre...

Mantive-me fiel a alguns dos meus objetivos, não descurei os meus treinos, meditei muito mais do que nos anos anteriores, dediquei-me aos bolos e enchi-me de orgulho com eles, tentei aproveitar mais a vida, fui uns dias para fora com as minhas amigas, não desisti do reiki, passei o meu aniversário fora, e acima de tudo fui feliz! Mesmo não tendo conseguido ter muita paz, fui feliz e cresci, a isso chama-se viver.

Salto para o novo ano ainda com algumas coisas pendentes mas que conto resolver entretanto. Por isso, 2023 vamos a isso?

terça-feira, 1 de novembro de 2022

Sou uma miúda certinha...

E a maioria das vezes gostava de não ser. Gostava de me esquecer que existe rotina, de não pensar em contas, de fazer o que me apetece, ir onde quero e quando quero. Gostava de bater o pé, dizer que não, ir só onde me apetece e estar só com quem quero. Gostava de virar o lugar do avesso, dizer tudo o que penso e não me importar com o julgamento. Gostava de mandar pessoas à merda!

Não sou assim, custa-me sair da linha, custa-me dizer o que penso, custa-me dizer às pessoas que não tenho paciência para as ouvir e que estou farta delas. Custa-me demasiado e não é suposto. É suposto sermos livres, não nos preocuparmos, vivermos sem medos, arriscar e ser felizes. Na teoria sei isto tudo, já na prática... 

Devia arriscar mais! Devia mudar de vida! Devia deixar-me de merdas....talvez um dia!

segunda-feira, 17 de outubro de 2022

Problemas...


Problemas. Toda gente tem problemas, uns pequeninos, uns grandes, uns que somos nós que criamos e outros com os quais não sabemos lidar. Hoje dei por mim a pensar que tenho uma capacidade gigante em sofrer por antecipação. Que é como quem diz, viver aquilo que ainda não aconteceu, e nem sei se vai acontecer, mas toda a minha imaginação leva-me a estar envolvida no melodrama, criando personagens fictícias e a imaginar emoções tristes e dramáticas. Todo um enredo digno de um óscar. Mas hoje foi diferente, do nada fez-se luz! A minha mente acalmou, e o lado racional que há em mim (e que raramente aparece, coitado, vive em sofrimento por eu nunca o ouvir) lembrou-me que ao sofrer por algo que ainda não aconteceu só estou a perder tempo...tempo de sonhar, tempo de me divertir, tempo de viver a vida como ela merece ser vivida. Por isso, que se lixem as preocupações, os dramas, as coisas tristes, as chatices, as pessoas más, que se lixe tudo. Se há coisa que aprendi é que nada dura para sempre, por isso, é deixar rolar, a caravana seguir e novas aventuras irão surgir. Está tudo dito!

domingo, 16 de outubro de 2022

A romântica que há mim!

 Amo este filme! Já vi milhares de vezes, em dias tristes, em dias felizes, em dias assim assim. Hoje vou ver outra vez, nunca me canso de
finais felizes! Sim, sou essa pessoa e cada vez gosto mais de ser assim, é tão bom sonhar, sabiam?