E voltamos aqui. Será que ainda sei fazer isto? Dizem que quando fazemos o que gostamos podemos parar durante anos que quando regressamos é como andar de bicicleta. Não sei se este será um bom exemplo, tendo em conta os anos que passaram sem que eu voltasse a tocar num bicicleta mas a ver vamos.
Já não me lembro a última vez que escrevi aqui, sei o que escrevi porque estive há pouco a ler, mas confesso que não me lembro do dia, da hora, de estar a escrever e de como me sentia nessa altura. Passaram 3 anos, mas parece que já foi há uma vida.
Nos entretanto a vida mudou muito. Fui mãe, o maior sonho da minha vida, e tudo aquilo que eu conhecia até esse momento mudou.O F. veio mudar tudo, a minha vida, as minhas rotinas, as minhas prioridades, os meus objetivos, mudou tudo. Nos últimos 2 anos todo o tempo (ou quase todo) foi dedicado a este miúdo que é só toda a minha vida. Pelo meio tento equilibrar-me, tento seguir o meu racional, tento tirar tempo para mim, esforçar-me para estar com amigos e voltar a sentir-me eu e a ter novos objetivos. Isto porque, honestamente, o exemplo que quero dar ao meu filho é de alguém que gosta de viver e que gosta de fazer coisas que a deixam feliz. O meu filho é o ponto mais alto da minha vida mas não poderá nunca ser o único ponto. É importante também passar tempo comigo, fazer outras coisas que gosto e sentir-me um bocadinho eu. Tenho tentado, ainda que poucas vezes, mas o pouco que faço sabe-me bem, a mim e a ele.
Gosto muito de passar a maior parte do meu tempo livro com o F., sou feliz assim, mas reconheço que deixá-lo ter momentos sozinho com o pai é benéfico para todos. Para ele que cria uma ligação com o pai, para o pai que cria uma ligação com o filho e para mim, para recuperar uma parte que ficou esquecida.
Ás vezes é bom ir ter com elas e conversar, desabafar e rir de mil e uma coisas. É bom aproveitar a hora de almoço durante um dia de semana e ir à praia respirar, é bom ler 3 páginas de um livro e é bom tirar 5 minutos para escrever aqui. Já não me lembrava desta C. mas definitivamente também quero que o meu filho conheça esta C. porque acho importante ele crescer a saber que a mãe, para além de ser mãe dele, e adorar esse papel, gosta também de fazer outras coisas, dançar, ouvir música, rir, caminhar, treinar, organizar etc.
É tentar encontrar um equilíbrio e continuar a tentar ignorar a opinião dos outros. As boas e as más também. Viver por mim e seguir por mim sem tremer, ou mudar de direção por ruídos de fundo. E esta é uma parte difícil para mim. Gostava de ser mais forte, gostava que as palavras dos outros não me magoassem, não interferissem na minha vida, e não afetassem as minhas escolhas mas...ainda não estou lá, quem sabe um dia. Até lá vou tentando e vivendo, contrariando opiniões. E nunca, mas nunca, deixar de fazer o que me apetece por ter
medo do que vão dizer, porque, a verdade, é que acho que esse é um dos melhores exemplos que posso passar ao meu F.
